Céu tem o impacto do primeiro álbum analisado, sob perspectiva histórica, em relevante título da série 'O livro do disco'

Céu tem o primeiro álbum –lançado em 2005 – analisado pela jornalista Fabiane Pereira em título da série 'O livro do disco' Luiza Ananias / Divulgaçã...

Céu tem o impacto do primeiro álbum analisado, sob perspectiva histórica, em relevante título da série 'O livro do disco'
Céu tem o impacto do primeiro álbum analisado, sob perspectiva histórica, em relevante título da série 'O livro do disco' (Foto: Reprodução)

Céu tem o primeiro álbum –lançado em 2005 – analisado pela jornalista Fabiane Pereira em título da série 'O livro do disco' Luiza Ananias / Divulgação ♫ CRÍTICA DE LIVRO Título: O livro do disco – Céu Autor: Fabiane Pereira Cotação: ★ ★ ★ ★ 1/2 ♬ Existe uma particularidade em “O livro do disco – Céu” que torna instantaneamente relevante esse lançamento da editora Cobogó. Trata-se apenas do segundo título brasileiro da série “O livro do disco” dedicado a um álbum lançado no século XXI e, no caso, a um álbum que fez história, abrindo caminhos em 2005 para uma cena indie que se espraiou pela (nova) música brasileira ao longo dos últimos 20 anos. Esse disco é “Céu”, primeiro álbum da cantora e compositora paulistana Maria do Céu Whitaker Poças, conhecida pelo nome artístico de Céu. Quem assina o texto de “O livro do disco – Céu” é Fabiane Pereira, jornalista e radialista de escritas e falas extremamente generosas com a geração de artistas projetados no embalo do êxito do álbum de estreia de Céu. Se em título anterior da série a também jornalista e radialista Roberta Martinelli analisou “Letrux em noite de climão” (2017), disco que impulsionou a carreira solo da cantora e compositora Letícia Novaes sem provocar faíscas além do universo particular da artista carioca, Fabiane Pereira mostra o impacto global causado pelo álbum “Céu” por estar ambientado em atmosfera singular, mas conectado com uma cena. O álbum “Céu” fez uma revolução silenciosa na música brasileira ao ser lançado em junho de 2005 – e o valor do livro está justamente em dimensionar essa revolução em perspectiva, já que o disco atravessou duas décadas sem perder a relevância, celebrada por Céu em turnê estreada em 2025 e ainda corrente neste ano de 2026. O álbum “Céu” surgiu em decorrência de uma cena que já estava em ebulição no circuito alternativo da cidade de São Paulo (SP) e mostrou que havia um mercado e um público disposto a consumir um som distante das ainda vigentes fórmulas radiofônicas. Rejeitando receitas já testadas, “Céu” chegou ao mundo em momento em que a indústria fonográfica ainda operava no modelo físico tradicional dos CDs, mas já se via forçada a abrir portas para o mundo digital por conta do surgimento do Napster. Por ser jornalista especializada em música, Fabiane Pereira contextualiza muito bem esse momento da música brasileira – entre impressões pessoais sobre as primeiras audições do disco – antes de dissecar propriamente o álbum produzido por Beto Villares em parceria com a própria Céu e com a colaboração de Antônio Pinto na faixa “Ave cruz”. A autora lembra que a ótima receptividade da crítica – e também de Caetano Veloso, ícone da MPB sempre de ouvidos abertos para o novo que sempre vem – ajudou a amealhar ouvintes para o álbum em tempo em que ainda não havia streaming e tampouco redes sociais, com exceção do Orkut, criado em 2004, mas sem importância determinante na difusão musical. Outro ponto relevante na circulação do álbum foi a distribuição de “Céu” nos Estados Unidos, especificamente na rede de lojas Starbucks, passaporte para a entrada de Céu no circuito europeu de festivais. Após essa brilhante contextualização histórica, que ocupa mais de 30 páginas, a autora refaz o percurso biográfico de Céu até o disco. A trajetória inclui temporada nos Estados Unidos, precisamente em Nova York (EUA), onde Céu travou maior contato com o reggae, gênero que se tornaria recorrente na discografia da artista, por vezes envolto em nuvens de dub, especialmente a partir do segundo álbum, “Vagarosa”, de 2009, mas que já estava presente no álbum de 2005, inclusive na regravação de “Concrete jungle” (Bob Marley, 1978). No mercado desde agosto, o livro também descortina os bastidores da produção do álbum “Céu”, momento em que Antônio Pinto teve atuação decisiva ao incentivar a cantora a gravar a produção autoral como compositora. E Fabiane dá o devido crédito ao selo indie paulistano Urban Jungle, avalizador da liberdade estética com que a artista deu forma ao álbum. E por falar em aval, toda a narrativa de “O livro do disco – Céu” é valorizada e legitimada pela própria Céu, cujos depoimentos inéditos a Fabiane são recorrentes no livro entre menções também recorrentes ao guitarrista, produtor e compositor Alec Haiat, parceiro de Céu em músicas como “Lenda” (composta com a adesão de Graziella Moretto), “Malemolência” e “10 contados”, curiosamente composições que sobressaíram na safra autoral inicial da artista. A propósito, são de Céu os comentários sobre cada uma das 15 músicas do álbum no faixa-a-faixa alocado já perto do fim do livro, arrematado com dois capítulos – “2005: onde estávamos nós?” e “O legado do primeiro disco” – em que a autora volta a discorrer sobre o álbum “Céu” sob perspectiva histórica. É esse, aliás, o legado do livro. A tal nova música brasileira já tem um passado, ainda que recente. Fabiane Pereira olha para esse passado no livro com carinho, conhecimento de causa e a habitual generosidade. Capa do livro 'O livro do disco – Céu', de Fabiane Pereira Divulgação / Editora Cobogó

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