Em looping na trilha original da novela 'Selva de pedra' com música que soa afinada com os atribulados dias de hoje

Capa da edição em CD da trilha sonora original da novela 'Selva de pedra', lançada em 1972 com músicas de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle Reprodução ...

Em looping na trilha original da novela 'Selva de pedra' com música que soa afinada com os atribulados dias de hoje
Em looping na trilha original da novela 'Selva de pedra' com música que soa afinada com os atribulados dias de hoje (Foto: Reprodução)

Capa da edição em CD da trilha sonora original da novela 'Selva de pedra', lançada em 1972 com músicas de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle Reprodução ♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR ♬ Tenho ouvido em looping “Capitão de indústria”, música que abre o disco com a trilha sonora original da primeira versão da novela “Selva de pedra” (1972 / 1973). A minha memória afetiva dessa trilha foi atiçada com a chegada da novela de Janete Clair (1925 – 1983) ao streaming na última segunda-feira, 29 de maio. Sim, marco na história da teledramaturgia brasileira, “Selva de pedra” já pode ser vista ou revista no Globoplay no formato do compacto de 1975 que condensou em 76 capítulos a trama estruturada originalmente em 243 capítulos exibidos pela TV Globo entre 10 de abril de 1972 e 20 de janeiro de 1973. Rever “Selva de pedra” – uma das obras-primas da escritora Janete Clair – me levou a reouvir o CD com a trilha nacional composta pelos irmãos Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle para a novela e gravada em disco com arranjos do maestro Waltel Branco (1929 – 2018). Editada em LP em 1972, essa trilha foi relançada em CD em 2001 com capa original – relíquia para colecionadores, já que o disco permanece indisponível nas plataformas de áudio. Entre 1971 e 1974, grandes compositores brasileiros eram convidados pela TV Globo a criar as trilhas sonoras das novelas. Revelados na segunda geração da Bossa Nova, mas já incursionando na época por gêneros como funk e soul, Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle debutaram no gênero com a trilha da novela de Janete Clair, assinando 10 dos 12 temas do disco, alguns com o groove característico da dupla. Gravada pelo ótimo cantor mineiro Djalma Dias (3 de março de 1938 – 24 de junho de 2021), a música “Capitão de indústria” sobressai na trilha e resiste muito bem ao tempo com versos ainda atuais como “Eu às vezes fico a pensar / Em outra vida ou lugar / Estou cansado demais / Eu não tenho tempo de ter / O tempo livre de ser / De nada ter que fazer / Eu às vezes penso em fugir / E quero até desistir / Deixando tudo pra trás / É que eu me encontro perdido / Nas coisas que eu criei / E eu não sei” – versos em sintonia com os tempos de exaustão e hiperconexão da era digital. “Capitão de indústria” toca muito na novela como tema do empresário Aristides Vilhena, o magnata interpretado pelo ator Gilberto Martinho (1927 – 2001). A música foi (bem) regravada pela banda Paralamas do Sucesso há 30 anos no álbum “9 luas” (1996), mas o registro original de Djalma Dias permanece imbatível. Outro destaque da trilha dos irmãos Valle é o envolvente tema de abertura da novela, intitulado “Selva de pedra”, composto com ares épicos e gravado pela Orquestra & Coro Som Livre. Detalhe: na abertura da novela, ouve-se o tema somente com o instrumental e os vocalizes. Já a versão do disco adiciona à gravação uma letra que, a rigor, parece sobrar no tema. Tenho ouvido muito essas duas faixas, exemplos da maestria da parceria de Marcos Valle com o irmão letrista Paulo Sérgio Valle no campo da teledramaturgia. “Selva de pedra”, tanto a novela como a trilha sonora, são marcantes na minha memória.

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