Museu da Língua Portuguesa cancela exposição sobre funk após virar alvo de políticos de extrema direita; curadora aponta 'censura'

Curadora da mostra ‘Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade’ cita censura após evento ser encerrado antes da data Divulgação Renata Prado, curadora da most...

Museu da Língua Portuguesa cancela exposição sobre funk após virar alvo de políticos de extrema direita; curadora aponta 'censura'
Museu da Língua Portuguesa cancela exposição sobre funk após virar alvo de políticos de extrema direita; curadora aponta 'censura' (Foto: Reprodução)

Curadora da mostra ‘Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade’ cita censura após evento ser encerrado antes da data Divulgação Renata Prado, curadora da mostra "Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade", fez uma carta aberta nas redes sociais citando censura após o evento ser encerrado antes da data prevista, sem aviso prévio. Em cartaz no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, a mostra contava com 473 obras de arte, fotografias, audiovisuais, vestuário e outros itens. A exposição, que ficou um ano e meio em cartaz no Museu de Arte do Rio, ganhou conteúdos inéditos sobre o funk paulista ao desembarcar em São Paulo, em novembro de 2025. Ao g1, Renata também afirmou que a mostra estava prevista para ficar em exposição até agosto. Mas, segundo relatou nas redes sociais, ela foi encerrada antes do combinado. O site do Museu da Língua Portuguesa informa que o evento chegou ao fim em 31 de maio. O site oficial de turismo da cidade de São Paulo detalha que o evento seguiria em cartaz até 30 de agosto. Procurado pelo g1, o museu afirmou que "a exposição 'FUNK: Um grito de ousadia e liberdade' foi encerrada em 31 de maio a fim de possibilitar a realização de duas novas mostras ainda este ano no Museu da Língua Portuguesa. 'FUNK' ficou em cartaz por seis meses, tempo médio de exibição das mostras temporárias da instituição". Serviço da exposição sobre funk no Museu da Língua Portuguesa em site oficial da Secretaria de Turismo da Prefeitura de SP informava que a exposição aconteceria até o dia 30 de agosto de 2026, mas ela foi interrompida no dia 31 de maio Reprodução "Ninguém [do governo do Estado ou do MLP] falou comigo, não houve diálogo para pensarmos um caminho. Sofremos um ataque sistemático e não conseguimos nos defender", afirmou Renata ao g1. "O MLP fez uma série de reuniões comigo para entender que o movimento do funk é singular e que a exposição poderia sofrer retaliações. O acesso à cultura é um direito constitucional que, nesse caso, não foi assegurado. Nós saímos pela porta de trás do museu", destacou a pesquisadora. De acordo com as postagens de Renata, o encerramento antes da data aconteceu após "começarem a surgir vídeos e manifestações de parlamentares da extrema direita atacando a mostra e associando seu conteúdo à apologia ao crime, às drogas e a narcocultura. Desde o início dessas investidas, fui informada pelo Museu da Língua Portuguesa de que a repercussão estava sendo monitorada". Um desses vídeos era do deputado estadual Tenente Coimbra (PL). Nas redes sociais, ele citou que esteve no evento e afirmou: "Fomos até o Museu da Língua Portuguesa verificar o absurdo que está em exposição que enaltece a narcocultura. Já entramos em contato com a secretária de cultura e em breve traremos novidades". "Posteriormente, soube que o assunto havia sido levado ao Conselho da instituição. Pouco tempo depois, fui comunicada de que a exposição seria encerrada antecipadamente. Também fui informada de que uma nova exposição passaria a ocupar o espaço, algo que jamais havia sido apresentado ou discutido comigo ao longo do processo de produção da exposição", completa a pesquisadora. Em seu relato, Renata afirmou que era "preciso nomear o que está acontecendo". "É censura. E existe uma dimensão profundamente simbólica nesse episódio. Estamos falando de uma exposição realizada no Museu da Língua Portuguesa, uma instituição dedicada à valorização das múltiplas formas de expressão que compõem nossa cultura." "O funk também produz linguagem. Produz vocabulários, códigos e formas de comunicação que influenciam milhões de pessoas. Por isso, quando uma manifestação cultural periférica é silenciada, a pergunta que permanece é: quem decide quais vozes merecem ocupar os espaços de memória do país?." "Defender o funk é, também, defender a legitimidade das expressões jovens, negras e periféricas. É defender a vida de todo pobre loko que encontra nas culturas negras uma forma de existir. Seguimos em luta", finalizou a pesquisadora. Initial plugin text

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