'Negro gato' de arrepiar é o ápice do show em que Simone Mazzer canta o repertório de Luiz Melodia
Simone Mazzer no show em que canta o repertório de Luiz Melodia (1951 – 2017) Rodrigo Goffredo ♫ CRÍTICA DE SHOW Título: Melodia com Mazzer Artista: Simo...
Simone Mazzer no show em que canta o repertório de Luiz Melodia (1951 – 2017) Rodrigo Goffredo ♫ CRÍTICA DE SHOW Título: Melodia com Mazzer Artista: Simone Mazzer Data e local: 7 de janeiro de 2026 no Manouche (Rio de Janeiro, RJ) Cotação: ★ ★ ★ 1/2 ♬ Um “Negro gato” de arrepiar foi o fecho e o ápice do show em que Simone Mazzer cantou o repertório de Luiz Melodia no clube Manouche na noite de ontem, 7 de janeiro, dia em que o cantor e compositor carioca teria feito 75 anos. Com efeitos no som turbinado do violão de Renato Piau, autor do arranjo em tom maior, Mazzer se confirmou nesse número áureo a excelente cantora que começou a aparecer em 2012 além dos palcos em que atuou como atriz da Cia. Armazém de Teatro. Standard black da Jovem Guarda composto por Getúlio Côrtes, lançado em 1965 por Renato e seus Blue Caps e projetado um ano depois na gravação feita por Roberto Carlos em 1966, “Negro gato” se encontrou na voz aveludada de Luiz Carlos dos Santos (7 de janeiro de 1951 – 4 de agosto de 2017), o imortal Luiz Melodia, em gravação feita para o álbum “Nós” (1980). Por isso, a música entrou no roteiro do show “Melodia com Mazzer”, projeto idealizado pela produtora Carol Rosman. A interpretação ardente de “Negro gato” por Simone Mazzer contrastou com a temperatura amena do samba que abriu o roteiro, “Estácio Holly, Estácio” (Luiz Melodia, 1972), sucesso do cancioneiro autoral de Melodia abordado pela intérprete com os sentidos ainda calmos. O show foi ficando quente à medida em que avançou, mas a apresentação resultou longa, com a fluência atrapalhada pelas histórias contadas por Renato Piau, excepcional músico, além de parceiro e amigo de Melodia, com quem percorreu o Brasil e boa parte do mundo. Em contrapartida, o violão de Piau aqueceu o show por ser tocado com a eletricidade de uma guitarra. Ao lado de Renato Piau e de Simone Mazzer, estava o baixista Paulo Emmery, que sobressaiu ao extrair suingue das cordas no solo feito em “Estácio, eu e você” (Luiz Melodia, 1973). Simone Mazzer canta músicas como ‘Congênito’, ‘Pérola negra’ e ‘Fadas’ no show 'Melodia com Mazzer' Rodrigo Goffredo Nem tudo esteve à altura de Luiz Melodia. Se Simone Mazzer deixou escapar o sentimento bluesy entranhado em “Pérola negra” (Luiz Melodia, 1971), deu a “Ébano” (Luiz Melodia, 1975) um tom de manifesto, expiou com precisão “Dores de amores” (Luiz Melodia, 1978) e fez brilhar o sol que ilumina “Magrelinha” (Luiz Melodia, 1973), entre outros bons momentos. Atuando como coprotagonista do show, Renato Piau fez vocais em músicas como “Presente cotidiano” (Luiz Melodia, 1973) e propagou a parceria com Melodia em composições como “Cara a cara” (1991), “Cuidando de você” (1999) e Esse filme eu já vi” (1999), além de ter contado causos. Um deles foi sobre a surra que Melodia levou para encontrar a emoção pedida pelo produtor Guto Graça Mello na gravação de “Codinome beija-flor” (Reinaldo Arias, Cazuza e Ezequiel Neves, 1985) feita pelo cantor em 1991 para a trilha sonora da novela “O dono do mundo” (TV Globo). A balada lançada na voz de Cazuza (1958 – 1990), aliás, soou linda e lírica no canto de Simone Mazzer em outro bom momento da apresentação avivada pela participação de Thiago Sacramento em “Sorri pra Bahia” (Edil Pacheco, Luiz Melodia e Cardan Dantas, 1983) – pouco conhecida pérola negra afro-brasileira do cancioneiro de Melodia que reluziu no canto de Sacramento – e a já mencionada “Esse filme eu já vi” (Luiz Melodia e Renato Piau, 1999). Tendendo a priorizar sucessos como “Congênito” (Luiz Melodia, 1975), “Juventude transviada” (Luiz Melodia, 1975) – cuja letra foi atualizada por Simone Mazzer para eliminar a visão machista da época em que foi escrita – e “Fadas” (Luiz Melodia, 1978), mas sem descartar surpresas como “Decisão” (Luiz Melodia e Sérgio Mello, 1987) e “Mistério da raça” (Luiz Melodia e Ricardo Augusto, 1980), o roteiro do show “Melodia com Mazzer” teve cacife para prender a atenção do público do início ao fim. Afinal, quem há de resistir a um samba aliciante como “Diz que fui por aí” (Zé Kétti e Hortêncio Rocha, 1964), gravado por Luiz Melodia em álbum ao vivo acústico de 1999? Quem também resiste ao cancioneiro autoral de Luiz Melodia, grande compositor da MPB dos anos 1970? Se aparados os excessos (de falas) e aumentada a temperatura de algumas interpretações da cantora, o show “Melodia com Mazzer” tem tudo para alcançar a grandeza do canto de Simone Mazzer. Simone Mazzer no palco do clube Manouche no show em que canta músicas compostas e/ou gravadas por Luiz Melodia (1951 – 2017) Rodrigo Goffredo ♪ Eis o roteiro seguido por Simone Mazzer em 7 de janeiro de 2026 na apresentação do show “Melodia com Mazzer” na casa Manouche, no Rio de Janeiro: 1. “Estácio Holly, Estácio” (Luiz Melodia, 1972) 2. “Pérola negra” (Luiz Melodia, 1971) 3. “Ébano” (Luiz Melodia, 1975) 4. “Dores de amores” (Luiz Melodia, 1978) 5. “Presente cotidiano” (Luiz Melodia, 1973) 6. “Cuidando de você” (Luiz Melodia e Renato Piau, 1999) 7. “Decisão” (Luiz Melodia e Sérgio Mello, 1987) 8. “Codinome beija-flor” (Reinaldo Arias, Cazuza e Ezequiel Neves, 1985) 9. “Magrelinha” (Luiz Melodia, 1973) 10. “Fadas” (Luiz Melodia, 1978) 11. “Juventude transviada” (Luiz Melodia, 1975) 12. “Estácio, eu e você” (Luiz Melodia, 1973) 13. “Mistério da raça” (Luiz Melodia e Ricardo Augusto, 1980) 14. “Sorri pra Bahia” (Edil Pacheco, Luiz Melodia e Cardan Dantas, 1983) 15. “Esse filme eu já vi” (Luiz Melodia e Renato Piau, 1999) 16. “Diz que fui por aí” (Zé Kétti e Hortêncio Rocha, 1964) 17. “Cara a cara” (Luiz Melodia e Renato Piau, 1991) 18. “Congênito” (Luiz Melodia, 1975) 19. “Negro gato” (Getúlio Côrtes, 1965)