Sinfonia brasileira do MPB4 atraca no porto seguro da orquestra da Petrobras em álbum valorizado pelos arranjos

MPB4 lança álbum com o registro de concerto apresentado em outubro de 2024 e gravado meses depois na sala de ensaios da sinfônica da Petrobras Daniel Ebendin...

Sinfonia brasileira do MPB4 atraca no porto seguro da orquestra da Petrobras em álbum valorizado pelos arranjos
Sinfonia brasileira do MPB4 atraca no porto seguro da orquestra da Petrobras em álbum valorizado pelos arranjos (Foto: Reprodução)

MPB4 lança álbum com o registro de concerto apresentado em outubro de 2024 e gravado meses depois na sala de ensaios da sinfônica da Petrobras Daniel Ebendinger / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: MPB4 sinfônico Artista: MPB4 e Orquestra Petrobras Sinfônica Cotação: ★ ★ ★ ★ ♬ Incursões de sinfônicas pelo universo da música popular brasileira já são recorrentes na discografia nacional. No mundo fonográfico digital desde ontem, 31 de julho, o álbum “MPB4 sinfônico” registra o concerto que marcou o encontro do grupo fluminense com a Orquestra Petrobras Sinfônica em outubro de 2024 como parte das comemorações dos 60 anos do conjunto aglutinado em 1962 – no politizado ambiente universitário de Niterói (RJ) – e profissionalizado em 1964. Gravado meses depois, já em 2025, na sala de ensaios da orquestra carioca na Fundição Progresso (RJ), o álbum alinha 14 músicas que soam como boa amostra da trajetória igualmente engajada deste grupo que é uma das mais completas traduções do universo da MPB, rótulo dado a uma música produzida a partir dos anos 1960 por artistas de formação geralmente universitária, como Chico Buarque – cantor e compositor de carreira indissociável do MPB4 até meados dos anos 1970 e, por isso mesmo, autor de seis das 14 músicas do álbum “MPB4 sinfônico” – e Gilberto Gil. A propósito, Gil é o parceiro de Chico em “Cálice” (1973), reouvida na sinfonia em tom sacro e por vezes até meio fúnebre no arranjo de Itamar Assiere, em registro que se afina com o tom apropriadamente lamentoso de “Angélica” (Miltinho e Chico Buarque, 1977). Pianista, Assiere integra o naipe de arranjadores do álbum “MPB4 sinfônico” ao lado de Gilson Santos, Jaime Alem e Paulo Malaguti Pauleira. Com o toque da orquestra regida pelo maestro Felipe Prazeres, Aquiles Reis (voz), Dalmo Medeiros (voz e viola caipira), Miltinho (voz e violão) e Paulo Malaguti Pauleira (voz e teclados) rebobinam um repertório que geralmente se ajusta bem à moldura sinfônica, incluindo standards como “O cio da terra” (Chico Buarque e Milton Nascimento, 1977). O MPB4 canta 14 músicas sob a regência de Felipe Prazeres, maestro da Orquestra Petrobras Sinfônica Daniel Ebendinger / Divulgação É fato que todas as 14 músicas já foram mais bem gravadas pelo MPB4 ao longo de discografia de vigor concentrado nos anos 1960 e 1970. Ainda assim, há muitas belezas na sinfonia brasileira do grupo em álbum valorizado pelos arranjos. Com arranjo de Paulo Malaguti, “Porto” (Dori Caymmi, 1975) ganha melancolia na introdução com os toques de violinos, oboés e trompas ouvidos antes dos vocais do quarteto. Já “Notícias do Brasil (Os pássaros trazem)” (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981) – música que somente entrou na discografia do MPB4 há dois anos em gravação feita com Milton Nascimento para o álbum “60 anos de MPB” (2024) – ganha ares épicos no arranjo de Itamar Assiere enquanto o samba-canção “Última forma” (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1972) tem as cicatrizes da desilusão amorosa acarinhadas pelas cordas. Aliás, na mesma linha sofrida de “Última forma”, o MPB4 remói “Cicatrizes” (Miltinho e Paulo César Pinheiro), samba que batizou o antológico álbum de 1972 em que apareceu “Última forma”. Com inventivo arranjo de Gilson Santos, “O ronco da cuíca” (João Bosco e Aldir Blanc, 1975) – samba lançado na voz de Simone – evolui cheia de quebras, caindo de forma inusual no suingue sinfônico em orquestração que evidencia as percussões de Pedro Moita e Tiago Calderano. E eis que, após parceria de Ivan Lins e Vitor Martins (“Velas içadas”, de 1979) e após músicas de Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) como “Samba do avião” (1962) e “Falando de amor” (1979), chega “Roda viva” (Chico Buarque, 1967) no arremate do álbum editado pela gravadora Biscoito Fino. E aí não tem como a sinfonia do MPB4 se desviar do arranjo original criado para o festival de 1967 por Antônio José Waghabi Filho (14 de novembro de 1943 – 8 de agosto de 2012), o Magro, responsável pela identidade vocal do MPB4, grupo que encontra um porto seguro no toque sinfônico da orquestra da Petrobras. Capa do álbum 'MPB4 sinfônico', de MPB4 & Orquestra Petrobras Sinfônica Divulgação

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